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20 janeiro, 2019

Luís Fernandes (1947-13 de Janeiro-2019)

Conhecemo-nos na Ordem Nova, envergámos a camisa azul, conquistámos Madrid, mantivemo-nos depois do fim, sob a égide do Condestável prestámos juramento, os anos passaram mas continuámos fiéis ao Ideal.
Partiste demasiado cedo! Até sempre!
Para ti, os versos do Rodrigo Emílio:

Matilhas de várias tribos
quiseram calar-me o canto,
a troco de alguns recibos
no valor não sei de quanto.

Pus-me a pensar em Camões...;
no que diria o Mishima...
- E, a cifras e cifrões,
opus rima atrás de rima.

Se a mesma teia de aranha
tolheu o Ezra Pound,
- nesse caso, pois que venha
de lá o último round!

Mudo não fico; nem mudo
de alma, e pele, até ao fim.
Podem privar-me de tudo,
que não me privam de mim!


 
 
Wenn alle untreu werden, so bleiben wir doch treu...

28 março, 2010

Rodrigo Emílio (18/02/1944 - 28/03/2004)

Bem-hajam e até mais ver!

Quando eu morrer,
não haja alarme!
Não deitem nada,
a tapar-me:
— nem mortalha.

Deixem-me recolher
à intimidade da minha carne,
como quem se acolhe a um pano de muralha
ou a uma nova morada,
talhada pela malha
da jornada...

— E que uma lágrima me valha...!
Uma lágrima — e mais nada...

27 fevereiro, 2010

Andamento elegíaco

em louvor e memória de Robert Brasillach e de José Antonio

(Heróica triste para os dois)

Deixai-me que eu chore ou cante,
em mais um 6 de Fevereiro,
o poeta enfeitiçante que do mártir d’Alicante
foi irmão e companheiro.

Seu destino lancinante,
seu roteiro rutilante,
sua sorte e paradeiro:
- Deixai, deixai que eu os cante
em mais um 6 de Fevereiro.

Quero, durante um instante
passageiro e... incessante,
exumar do meu tinteiro
o exangue semblante
desse límpido e galante
mosqueteiro.

- afinal, tão semelhante
(em tudo, tão semelhante)
àquele arcanjo arquejante
que, num pátio d’Alicante
prisioneiro,
doou à luz do Levante
o seu olhar derradeiro
e, às falanges da Falange
o seu sangue de guerreiro.

Quero deter-me um instante,
aos pés do 6 de Fevereiro;
e ao poeta militante,
implorar que se alevante,
outra vez, de corpo inteiro,
por sobre o seu cativante
cativeiro!

Rodrigo EmílioPoemas de Braço ao Alto, 1982